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terça-feira, 17 de abril de 2012

Montando a panela de brassagem e fervura

Produzindo cerveja artesanal

      Como já tinha comentado no primeiro artigo onde falo sobre equipamentos, uma ótima maneira de economizar dinheiro é montando o seu próprio equipamento. (clique aqui para ler o artigo)

      Neste artigo vou mostrar como montei a minha panela de brassagem / fervura, relacionando as tarefas que devem ser executadas, as ferramentas e os materiais necessários, tudo de forma bastante didática (espero eu...) e com bastante fotos. Tudo para mostrar que qualquer um com um mínimo de ferramentas, habilidade e paciência, pode sim fazer seu próprio equipamento para produção de cerveja artesanal.

Recomendo fortemente que leiam este
artigo até o final e postem as dúvidas antes
de comprar os materiais.

      Lista de material:
  • Panela de alumínio com tampa (recomendo uma de 45L)
  • Válvula esfera 3/8”
  • Tubo de alumínio 3/8”para refrigeração quantidade suficiente para dar uma volta na panela
Estas são as conexões utilizadas
  • Fita teflon (veda rosca)
  • 02 Arruelas de alumínio
  • Conexões de latão:
      * 01 Tee de latão macho central tipo compressão
      * 02 Anilha de latão 3/8" tipo compressão
      * 02 Porca de latão 3/8" tipo compressão
      * 01 Niple macho x fêmea 3/8" rosca cônica
      * 01 Redutora macho x fêmea rosca paralela
      * 01 Bico P/ Mangueira 3/8" rosca cônica

      Ferramentas:
 • Lima meia cana
 • Paquímetro
 • Furadeira elétrica (é desejável ter controle de velocidade)
 • Broca aço rápido 1,5 mm
 • Broca aço rápido 8 mm
 • Chave inglesa
 • Chave de boca para as conexões (não vou indicar a medida, pois pode variar de acordo com os fabricantes das conexões)
 • Martelo
 • Punção ou prego
 • Ponta montada ou “Pirulito”
 • Arco de serra
 • Serra aço rápido

Mãos à obra...

      O primeiro passo é definir a posição em que a válvula esfera deve ficar. Com relação a altura, quanto mais próximo a parte inferior, menor será a perda de mosto no fundo da panela, tanto durante a filtragem quanto após a fervura. Esta altura influencia também o quanto de "trub" levamos para a próxima etapa, se ficar muito baixo, o mosto vai arrastar o "trub" que está decantado no fundo da panela.

Desenho 001
      Eu decidi por deixar o mais baixo possível, mas temos um fator que limita isso: a curvatura que liga a parede da panela a sua base. É preciso deixar um espaço para as conexões e arruelas se acomodarem e efetivar a vedação desejada. No meu caso, as arruelas tem um diâmetro externo de 25 mm e para não pegar na curva, o centro do furo deve estar a 14 mm acima da curva, conforme desenho 001.

Desenho 002
      Outra coisa a se levar em conta ao definir a posição da válvula esfera, é a posição das alças de transporte da panela. Em minha opinião, deve ser a 90º das alças, como no desenho 002, pois se for necessário movimentar a panela, uma pessoa pega em cada alça e a válvula não vai ficar batendo nas canelas.







Observação importantíssima:
Evite ao máximo movimentar a panela com líquido quente, é um risco desnecessário!

Foto 001
      Veja na foto 001 como será montado todo o conjunto de conexões de latão. O lápis está na posição em que a parede da panela vai ficar. Esta sequência foi pensada também de modo que toda a parte interna, a conexão tee e o tubo perfurado possam ser retirados após a filtragem (foto 002) permitindo que a panela possa ser usada para ferver o mosto. Assim podemos ter apenas uma panela para as duas tarefas, pelo menos inicialmente. Com o tempo compre a segunda panela. Facilita bastante o processo.


Foto 002
      Uma vez definida a posição, bata com um martelo e a punção, neste ponto, fazendo uma pequena depressão. Isto serve para a broca não escorregar na hora de furar. Faça um furo com a broca de 1,5 mm.

      Ok, eu sei que o alumínio é um metal bastante macio e dava pra furar direto com a broca mais grossa, mas exatamente por ser macio, já vi casos em que a broca fica vibrando e o furo acaba ficando "quadrado".

Foto 003

      Troque a broca de 1,5 mm pela de 8 mm e aumente o furo. Use a velocidade máxima e controle a furadeira para "comer" o metal sem ficar vibrando ou pulando. O furo ainda vai estar pequeno para a conexão niple macho x fêmea. Agora é a hora de usar a lima meia cana (foto 003) e a ponta montada (foto 004). Vá ajustando o furo e testando o niple (foto 005) até que a rosca passe pelo furo sem ficar prendendo. Tome cuidado para não deixar folgado demais, pois isto poderia prejudicar a vedação.


Foto 005
Foto 004
       Agora insira o niple pela parte interna da panela, coloque a arruela de alumínio pela parte externa e rosqueie a conexão redutora com as mãos até onde conseguir (foto 006 onde não aparece a arruela, rsrsrs).

Foto 006
       Então com cuidado, enquanto segura o niple por dentro com a chave adequada para não girar, aperte a conexão redutora pela parte externa 1/4 de volta e solte novamente, isso faz com que as roscas, que são cônicas, se ajustem de forma gradativa. Pode colocar uma gota de azeite para facilitar o aperto (isso mesmo, azeite de cozinha, não vá usar WD-40 ou outro lubrificante químico pois vai deixar gosto por muito tempo na panela), repita esta operação de apertar e soltar até as peças começarem a encostar na arruela, então dê um aperto final, o alumínio da panela e da arruela vai ceder um pouco e vedar. Não aperte demais, pois as conexões são de latão e um aperto excessivo pode quebrar a rosca e inutilizar as duas conexões..

      Até aqui, a vedação desejada é proporcionada pelas próprias peças utilizadas, como o alumínio é mais macio que o latão, quando apertamos as conexões, o alumínio cede e se ajusta fazendo a vedação.

      A próxima etapa seria rosquear a válvula esfera na rosca que está para fora da panela, mas esta junção não veda por si só, então precisamos utilizar a fita teflon veda roscas, e tem uma "manha" que não sei se todos conhecem: a fita deve ser enrolada na mesma direção que vamos girar a peça a ser rosqueada, ou seja, no sentido horário. Passe umas 6 ou 8 voltas da fita, apenas na rosca, sem deixar ela tampar o furo (Foto 007 e Foto 008 )

Foto 007
Jeito certo, deixando o furo livre
Foto 008
Jeito errado, tampando o furo











Foto 009
      Agora sim, segurando a conexão redutora com uma chave, rosqueamos a válvula esfera com a mão até onde for possível e finalizamos o aperto com a chave inglesa (Foto 009). Perceba que a alavanca de acionamento da válvula deve ficar posicionada para cima, de modo a facilitar a sua operação (Foto 010).

Foto 010
Para finalizar a parte externa, é só rosquear a conexão bico para mangueira na extremidade da válvula esfera com a mão até onde for possível e finalizar o aperto com duas chaves. Note que sempre seguramos a peça que já está fixada e giramos a peça que é adicionada. Isto é feito assim para não deixar que a peça que já está no lugar se movimente, podendo gerar vazamentos.

      Com a parte externa concluída, vamos montar a parte interna. O filtro (também conhecido por manifold) é feito com o tubo de alumínio, ele deve ser curvado para se acomodar próximo às paredes da panela como na foto 011, o comprimento do tubo deve ser ajustado de modo que a distância entre o tubo e as paredes da panela seja igual em toda a volta. Vamos usar a lâmina de serra para cortar o excesso de tubo, lembrando de eliminar as rebarbas internas e externas após serrar a ponta do tubo.

      As pontas do tubo devem ficar alinhadas com as entradas da conexão tee, como podemos ver na foto 012. Agora que já moldamos o tubo, vamos montar as suas conexões.

Foto 012
Foto 013










      Em uma extremidade do tubo curvado, colocamos uma das porcas de latão com a rosca voltada para fora, em seguida encaixamos uma anilha de compressão, introduzimos o tubo na conexão tee até o fundo (Foto 013), encaixamos a anilha em seu lugar e rosqueamos a porca com a mão até o final. Certifique-se que o tubo está encaixado até final, então com as chaves adequadas aperte a porca até o tubo não girar mais. Isto fará com que a anilha trave no tubo, fixando no lugar. Solte novamente a porca e confirme visualmente, a anilha deverá estar "amassada" como na foto 014. Repita a operação na outra extremidade do tubo.

Foto 014


      Agora vamos encher o tubo de alumínio de furos, que vai virar uma peneira, por esses furos que vamos retirar o mosto, deixando para trás o bagaço de malte.

      Pode-se fazer uma série de cortes com a lâmina de serra, inclusive é muito mais fácil e prático, mas penso que fica muita rebarba na parte interna do tubo, além de enfraquecer a sua estrutura, por isso eu optei por fazer furos com broca, que em minha opinião, fica com acabamento melhor.

      Para esta operação, o ideal seria utilizar uma furadeira horizontal de bancada ( Foto  015), mas eu não tenho, então fixei a furadeira numa morsa controlando sua velocidade usando uma abraçadeira plástica (Foto 016).

Foto 015
Foto 016














Foto 017
      Antes de fazer os furos, apóie o tubo numa superfície resistente e do mesmo modo que fizemos na panela, marque com o punção ou prego os lugares onde serão feitos os furos (Foto 017). Faça as marcações com cerca de 1 cm de distância entre elas. Agora coloque a broca de 1,5 mm no mandril da furadeira, ligue a furadeira, segurando o tubo com firmeza, num ângulo reto, encoste a pequena depressão que foi feita com o punção na ponta da broca fazendo uma leve pressão e observe que a broca já começa a retirar material. Quando passar a primeira parede do tubo, continue furando até atravessar para o outro lado do tubo, assim com um movimento faça dois furos. No meu caso foram 101 movimentos, totalizando 202 furos.

Agora, troque a broca pela ponta montada grande, mantendo a furadeira fixa e retire as rebarbas que ficaram onde a broca sai (Foto 018).

Foto 018
      Agora é só montar tudo, colocar água e testar vazamentos, se não vazar, esvazie novamente a panela, retire qualquer adesivo que tenha na panela (aqueles adesivos da marca ou etiqueta de preço) e lave tudo muito bem com esponja macia e detergente neutro: panela, tampa, a válvula aberta, o tubo, etc...

      Por último, coloque a panela no fogão e encha de água, acenda o fogo e ferva a água por cerca de uma hora. Esta etapa serve para fazer o que chamamos de passivação do alumínio, que cria uma camada de óxido de alumínio.

      Pronto!!!!!!! O dinheiro que foi economizado com a confecção da panela é suficiente para comprar o material para sua primeira leva como eu mesmo fiz, elaborei uma Blonde Ale bem leve (estou preparando o artigo e em breve coloco o link aqui), então, agora fico esperando os convites para degustar essas cervejas maravilhosas, rsrsrs.

Se quiser ver todas as fotos do álbum clique aqui!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Cerveja caseira Blonde Ale com almoço alemão


Olá pessoal, ontem recebi alguns amigos em minha casa para degustação da segunda leva da minha Blonde Ale, daí resolvi fazer um almoço com comida típica alemã para acompanhar.


Espuma animal!!!
Além da minha cerveja artesanal, o cardápio incluía:
Batatas cozidas
Salsichão com alho
Salsicha de vitela
Chucrute
Eisbein
Purê de maçãs

As receitas são do caderno que minha mãe herdou da minha vó, onde ela escrevia todas as receitas da família, que posteriormente passou para mim. E estão disponíveis aqui no Blog, abaixo seguem os links.



As batatas são apenas descascadas, cortadas em rodelas grossas (cerca de 2 cm) e cozidas com sal.

As salsichas devem ser fervidas na água em duas panelas separadas, uma para as de alho e outra para as de vitela, para não misturar os sabores.
Tudo isso acompanhado de cinco tipos de mostarda: com mel, extra forte e com ervas finas, além das tradicionais amarela e escura.

Quer ver mais fotos? Clique aqui!

PS: Esqueci de dar os créditos das fotos. Todas elas são do meu amigo Marcau, obrigado!

sábado, 3 de março de 2012

Eisbein (Joelho de porco)




Receitas de comida típica alemã

Receita para 2 pessoas
Os joelhos marinando



Ingredientes
2 joelhos de porco (cerca de 500g cada)
2 folhas de louro
1/2 Copo americano de salsinha picada
1/2 Copo americano de cebolinha picada
2 cebolas grandes picada
1 colher de sopa de colorau
3 dente de alho picado
Sal e pimenta branca a gosto
Suco de 2 limões
20 bagas de zimbro

Já assados
Modo de Preparo
Tempere os joelhos de porco com todos os ingredientes na noite anterior.
Corte um pedaço de papel alumínio, coloque um dos joelhos de porco no centro com metade dos temperos e embrulhe com cuidado, de forma que o líquido não escape. Coloque mais uma camada de papel alumínio, sempre cuidando para não rasgar ou vazar o tempero.

Coloque em uma forma e leve para assar por 50 minutos em forno médio.

Retire o papel alumínio e volte para o forno médio por mais 30 minutos, ou até ficar crocante.



Sirva conforme apresentado no artigo "Cerveja caseira Blonde Ale com almoço alemão"
Retirado o alumínio, deixa dar uma tostada




Sauerkraut (Chucrute)




Receita rápida

Receitas de comida típica alemã

Rendimento: 2 pessoas

Ingredientes:
1/2 repolho sem o talo (cerca de 600g)
1 Litro de água
2 colheres (de chá) de sal
2 colheres (de sopa) de óleo
2 dentes de alho picado
1 cebola média picada
3 sementes de pimenta-do-reino trituradas
1 folha de louro
5 cravos da índia
1 colhere (de sopa) de açúcar
1 gengibre pequeno ralado
1 xícara (de chá) de vinho branco seco ou vinagre branco (não use agrin)
2 colheres (de sopa) de farinha de trigo peneirada
2 colheres (de sopa) de creme ácido (Cremor tártaro)

Modo de Preparo:
Cortar o repolho em tirinhas finas.
Colocar em uma panela a água e o sal, jogar o repolho quando a água estiver fervendo, deixar tempo o suficiente para ficar macio, mas ainda crocante (cerca de 1 minuto) e escorra num escorredor de macarrão e reserve.

Enquanto o repolho escorre, coloque em outra panela, o óleo, o alho e a cebola picada, refogue em fogo baixo, sem deixar dourar. Acrescente a pimenta-do-reino, o louro, os cravos, o açúcar e o gengibre.
Numa vasilha, misture o vinho (ou vinagre), a farinha de trigo e o creme ácido. Acrescente esta mistura à panela, misture bem e desligue o fogo.

Adicione o repolho já escorrido e misture bem.

Sirva como indicado no artigo "Cerveja caseira Blonde Ale com almoço alemão"

PS: Note que este não é o chucrute tradicional, é uma receita rápida, futuramente farei um artigo divulgando a receita tradicional, que demora uns 10 dias para ficar pronta.

Pure de maçãs


Receitas de comida típica alemã

Receita para 2 pessoas

Ingredientes:
3 maçãs verdes, descascadas e sem sementes
1 colher rasa (de sopa) de açúcar
1 colher rasa (de sopa) de manteiga sem sal
1 colher (de sobremesa) de suco de limão
1 colher (de chá) de mostarda
2 colheres rasas (de chá) de sal

Modo de Preparo:
Coloque as maçãs picadas em uma panela com 50 ml de água, o açúcar, o sal e o suco de limão.
Leve ao fogo baixo, panela tampada até ficarem macias.
Passe as maçãs numa peneira e acrescente a manteiga e a mostarda.
Sirva como indicado no artigo "Cerveja caseira Blonde Ale com almoço alemão"

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Caminho Nomade pelas cervejas artesanais (Parte 2)

Para ler a Parte 1 deste artigo clique aqui

Já cansado das cervejas comuns, meu interesse acabou se virando para as prateleiras dos vinhos, buscando novas experiências gustativas, tentei vários tipos de uvas, varietais, tintos, brancos, frisantes, nacionais e estrangeiros, foi bastante enriquecedor, mas ainda não era este o meu caminho.

Quando saía com os amigos, continuava bebendo sem frescura as cervejas comerciais, mas já começava a perguntar pelas "Cervejas Premium", sem saber ao certo o que queria dizer isso, mas me dispunha a pagar mais caro por um pouco mais de sabor.

Tive algumas oportunidades de provar cervejas estrangeiras quando trabalhei no porto de Santos e numa representação comercial.

No porto, fui a bordo de navios de bandeiras estrangeiras, onde provei algumas cervejas japonesas, chinesas e russas que não consegui guardar o nome, para quem não conhece o idioma é impossível reproduzir aquelas palavras... Pra dizer a verdade, antes de abrir, só dava pra ter certeza que era cerveja por que todas tem em algum lugar no rótulo escrito "beer". Também provei Carlsberg, (foi uma das que mais gostei), Paulaner, Budwaisser e Miller Draft

Trabalhei numa distribuidora de produtos alimentícios, onde vendiamos a australiana Foster's e a mexicana Corona. Lembro que na época gostei mais da Mexicana.

Foi quando acabei notando cervejas importadas nas prateleiras dos supermercados, mas já estava tão acostumado com as cervejas comerciais, que achava um absurdo pensar em pagar 4 vezes o preço das latinhas comuns numa única lata das importadas, que eu presumia serem tudo a mesma coisa.

Fiquei acostumado com o sabor mais agradável das cervejas nacionais diferenciadas, como Original, Serra Malte, Brahma Extra, Xingu, Petra, Caracu.

Começaram a chamar de "velho fresco", mas com a idade é natural trocarmos quantidade por qualidade, não é mesmo?

Confesso que não percebo a maioria dos sabores e aromas descritos pelos beer someliers, mas alguns mais básicos, como "aguado" e "metálico", já consigo notar.

Confesso também que ainda me assusto com o amargor de algumas cervejas e quando leio a análise sensorial nas degustações de outras pessoas percebo que o que para mim é extremo, é considerado apenas como médio/baixo amargor.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Segunda etapa na produção do Mead (Hidromel)

          Como a atividade do air-lock estava muito baixa a alguns dias, vinha acompanhando a densidade com intervalo de dois dias entre cada medição, nas três últimas medições a densidade tinha estabilizado.

          Então, passados 29 dias fermentando em temperatura ambiente, por volta de 26 ºC e sem grandes oscilações, resolvi trasfegar o Mead deixando para trás as frutas e o fermento que estava depositado no fundo dos recipientes, eliminando assim o risco de autólise do fermento.

          Aproveitei e engarrafei uma amostra de cada tipo de Mead com priming, naquelas garrafinhas PET de 250 mL da Coca-Cola, semana que vem vejo como está o sabor...
          O líquido ainda está turvo, por isso vou deixar um mês na geladeira, para assentar bem a levedura, espero que com isso fique bem clarificado, então farei a trasfega novamente, para deixar maturar por mais uns dois meses.

          Daí é só fazer o envasamento final, esperar carbonatar e vamos ver como é que finaliza isso...

Ainda não posso chamar de FG, mas seguem os cálculos de atenuação.

• Passas OG 1062 g/L FG 990 g/L = 9,76% ABV
• Cereja OG 1060 g/L FG 990 g/L = 9,48% ABV
• Sweet OG 1150 g/L FG 1070 g/L = 10,84% ABV
• Brut OG 1085 g/L FG 1033 g/L = 7,04% ABV

para ver as outras fotos, clique aqui

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Caminho Nomade pelas cervejas artesanais (Parte 1)

Como despertei meu interesse por cervejas especiais?


Bom, acho que tem bastante a ver com genética, como já disse no artigo "Programação genética faz europeus consumirem mais gordura e álcool", tenho descendência européia, mesmo assim o gosto por cervejas demorou a chegar.

Já maior de idade, nas saídas de finais de semana com amigos, experimentava as cervejas que estavam disponíveis por aqui e não conseguia realmente gostar. Gostava dos sabores das bebidas ditas "quentes", conhaques, vodcas, licores, vinhos.

Mas naquela coisa "pós-adolescente/inconsequente", no calor dos verões, tomava uns copos para acompanhar as porções de fritas, calabresas aceboladas, manjubinhas, etc... Acabava caindo bem, refrescante e tal...

Virei consumidor da que "desce redondo", eventualmente aceitando as sugestões do "experimenta!" e outras propagandas, mas acabava dando razão a um cliente que freqüentava minha barraca de lanches no parque de diversões em Peruíbe, litoral sul de SP. Quando eu falava que a marca que ele tomava tinha acabado, ele me dizia: "depois da segunda garrafa, todas ficam iguais, pode abrir qualquer uma".

Na época realmente não haviam opções e acabamos adequando o nosso paladar ao que temos ao nosso alcance.

As malzebier me agradavam mais, afinal, tinham algum sabor. Quando apareceu a Kaiser Bock, eu achei sensacional, mas só entrava em cena no inverno.

Tudo isso sem nunca desconfiar que, citando Arquivos X, "The truth is out there" (a verdade está lá fora), não sabia que mundo afora haviam tantos outros estilos de cervejas.

Descobri esta miríade de possibilidades na década de 80, através de um livro que comprei na banca de jornais que fica até hoje na estação rodoviária do Jabaquara - SP (prometo que quando achar o livro posto ele aqui). Era um livro que ensinava a fazer cerveja em casa, mas na época só passei vontade, não conseguia achar os insumos em lugar algum. O livro acabou indo para a estante e o interesse em produzir cervejas em casa acabou adormecido, mas o paladar continuava achando que faltava alguma coisa nas brejas...

domingo, 23 de outubro de 2011

Produzindo Mead (Hidromel)

Bom, eu já não "guentava" mais de ansiedade pra produzir algo, pois faltam alguns itens no equipamento pra poder brassar minha primeira leva, então resolvi fermentar alguma coisa.

Quem já ouviu falar em Hidromel ou Mead? Pois é...

Dá uma olhada na "gambiarra" pra fermentar quatro tipos diferentes de Mead ao mesmo tempo.

Arrumei mel, um sachet de fermento T58 e água mineral e parti pra minhas experiências...

Meu objetivo era exatamente este: Experiências.

Então, pelo volume de mel que consegui (cerca de 4kg) e por tudo que havia lido sobre Mead, decidi fazer 4 testes distintos, dois garrafões de 6 litros e duas garrafas PET de 2 litros.

Fiz um furo em cada tampa das garrafas, de modo que a mangueira entre apertada no furo para manter a vedação. A mangueira entra apenas 10mm nas tampas da garrafas para ficar longe da espuma que se forma na superfície do liquido que em ingles chama "MUST".

No pote de maionese, fiz quatro furos para a entrada das mangueiras, que vão até o fundo do pote que contém álcool e água. Fiz também um furo de 2mm no centro da tampa para escapar os gases que se formam dentro das garrafas pela fermentação, passam pela mangueira e borbulham nesta solução água/álcool, isto tudo para manter uma atmosfera isolada dentro de cada garrafa, evitando assim qualquer contaminação.


Ingredientes:
12 litros de água mineral
3 kg de mel florada laranja
1 kg de mel florada silvestre
1 sachet fermento T58 da Fermentis
100g cereja em calda (maceradas)
50g uvas passas pretas (inteiras)

Informação do rótulo da água mineral:
Características da água:
pH à 25ºC = 6,80

Composição química em mg/L
Bicarbonato = 85,60               Sulfato = 0,22                        Nitrato = 2,80
Cloreto = 1,06                        Fosfato = 0,10                      Fluoreto = 0,01
Cálcio = 12,98                       Magnésio = 7,97                   Potássio = 1,44
Brometo = 0,04                     Sódio = 3,31                          Estrôncio = 0,049
Bário = 0,024

Fervi a água mineral por 20 minutos só por garantia de esterilização.

Densidade da água mineral após fervura 1.001 g/L (fiz a medição para efeito de comparação)

Misturei 100mL de água a 30°C e duas colheres de mel, agitei bastante para aerar a mistura, então adicionei o fermento e deixei descansando para multiplicação das células viáveis do fermento. Isto se dá o nome de fazer o "start" da levedura.




PET 1: Objetivo: Mead tipo suave
450g de mel (florada silvestre) + 1,5 litros de água mineral e cerca de 100g de cereja ao marasquino
OG 1.060

PET 2: Objetivo: Mead tipo suave
450g de mel (florada silvestre) + 1,5 litros de água mineral e 20 uvas passas
OG 1.062 g/L

Garrafão 1: Objetivo: Mead tipo seco
1kg de mel (florada laranja) + 4,5 litros de água
OG 1.085 g/L

Garrafão 2: Objetivo: Mead tipo suave
2kg de mel (florada laranja) + 3,5 litros de água
OG Maior que 1.100 g/L (fora de escala, meu densímetro vai só até 1.100 g/L).

Na realidade, quando soltei o densímetro, ele quase pulou pra fora da proveta, rsrsrs...

Agora é esperar as crianças terminarem o trabalho e ver em quanto atenua isso, previsão: 3 meses...

Para ver mais fotos visite meus álbuns

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Novos TAG's do blog

Uma voz me disse:

"Conhece teu equipamento como a ti mesmo..."

Não, agora é sério, nós cervejeiros (apesar de não ter produzido nenhuma breja ainda, já me considero um) precisamos conhecer o equipamento que utilizamos, mas eu não gosto muito de tentativa e erro, então passei a estudar o funcionamento do sistema que pretendo montar, daí passei a teoria.

Busquei informações em sites das Acervas, de outros homebrewers brasileiros e estrangeiros, em enciclopédias digitais, sites de postagens de vídeos, e por aí vai...

Comecei a gerar um banco de informações mental, daí comecei a transpor isso em papéis nos bolsos e vi que não dava pra organizar as idéias desta maneira. Esta foi uma das razões para ter iniciado meu blog.

A partir de agora vou começar a postar estas minhas teorias, cálculos, desenhos esquemáticos, etc...

Estou criando dois TAG's novos no blog:
     • Teorias cervejeiras do Nomade
     • Práticas cervejeiras do Nomade

Lembrando que tudo postado no TAG “Teorias” é apenas isto: TEORIA e que será testada e averiguada e posteriormente atualizada com “Confirmada” / “Plausível” / “Detonada” nos moldes do programa MythBusters, isso mesmo, aquele do Discovery Channel com Adam, Jamie, Kari, Grant e Tory

Vou fazer vídeos para demonstrar os experimentos e tal...

Vamos ver como sai isso...